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Dicas para campanha da fraternidade

 

O tema deste ano fala de Biomas: bioma quer dizer a vida que se manifesta em conjunto com espécies de vegetação similar e contínua, animais, clima mais ou menos uniforme num espaço geográfico cuja formação tem uma história comum. A partir desse simples conceito e da unidade dos diversos elementos que o compõem cada um dos seis biomas brasileiros, chegamos a conclusão quão extraordinária é a beleza e diversidade da natureza de nosso país, das quais cada cristão é chamado a ser cultivador e guardador da obra criada.

Considerando a realidade particular da Cidade do Rio de Janeiro, localizada no bioma Mata Atlântica, patrimônio ecológico e cultural que se estende ao longo do que hoje são 17 estados, a Campanha nos convida a olhar mais atentamente para esse bioma que, apesar de sua relevância, está ameaçado por atividades econômicas predatórias; ausência de saneamento básico; concentração populacional; crescimento urbano desordenado e concentração de riquezas; desmatamentos; morte e tráfico de espécies; poluição das águas, violação dos direitos das populações tradicionais; falta de consciência ecológica de uma parcela significativa da população e falta de compromisso político que agrava a degradação do meio ambiente.

Abordando a realidade dos biomas brasileiros e as pessoas que neles residem, esta Campanha da Fraternidade deseja despertar as comunidades, famílias e pessoas de boa vontade para o cuidado e cultivo da casa comum. Diante dos grandes desafios ambientais da cidade e fiel ao compromisso de defender e promover a vida, a Arquidiocese do Rio de Janeiro apresenta a seguir algumas ações de caráter geral, e também especifico para o bioma Mata Atlântica, no qual estamos inseridos:

1. Reduzir o consumo.

Esta é a primeira e principal ação de preservação do meio ambiente em todos os níveis. Cada item produzido corresponde à utilização de recursos naturais que irão gerar algum impacto sobre o meio ambiente.

2. Fundar a Pastoral da Ecologia nas paróquias da Arquidiocese onde ainda não exista.

Essa pastoral é responsável por desenvolver ações locais voltadas à conversão ecológica da comunidade a partir do conceito de ecologia integral apresentado pelo Santo Padre, na Encíclica Laudato Si. As paróquias que já contam com a pastoral podem incentivar e apoiar a criação de outras pastorais nas outras paróquias do seu vicariato, além de promover curso de formação e/ou capacitação de agentes da pastoral, debates, e fóruns locais sobre meio ambiente.

É fundamental promover ações de educação ambiental para sensibilizar, criar consciência ecológica e o  compromisso comunitário com a temática ambiental, que é transversal e pode ser trabalhada desde a infância. A Campanha da Fraternidade deseja, antes de tudo, levar à admiração para que todo o cristão seja um cultivador e cuidador da obra criada.

3. Reciclar os resíduos que produzimos e destiná-los corretamente.

Grande parte dos resíduos que produzimos pode ser reciclado e são bem-vindas ações como a divulgação de informações sobre o descarte adequado de resíduos; coleta seletiva; economia de energia e água, aproveitamento máximo de alimentos, redução de desperdícios, feiras de troca são medidas ao alcance de todos e muito eficientes. A coleta seletiva de papel, latas de alumínio, embalagens pet e óleo de cozinha podem, inclusive, gerar renda para fomentar novas ações. Para essa ação temos convênios já funcionando.

4. Acompanhar a implementação do Plano de Saneamento Básico do Município do Rio de Janeiro.

Essa ação deve ser conduzida pelo conjunto das pastorais sociais, em nível arquidiocesano, a partir do acompanhamento e fiscalização do legislativo e do executivo, com a realização de debates e articulações (inter)vicariais com a participação dos cidadãos, profissionais e entidades interessadas em soluções viáveis para o déficit de saneamento básico sobretudo em regiões de extrema vulnerabilidade social. O Vicariato da Caridade Social acompanhará esse trabalho. As paróquias podem também estimular e viabilizar a capacitação necessária à participação dos leigos e leigas nos conselhos de direitos voltados para defesa do meio ambiente ou a ele correlatos.

5. Acompanhar a implantação e a revitalização de áreas de proteção ambiental.

As ações de reflorestamento, recuperação de matas ciliares e de proteção aos parques existentes devem ser acompanhadas e fiscalizadas para garantir sua preservação. A Floresta da Tijuca é um exemplo bem sucedido de reflorestamento iniciado no século XIX que recompôs a Mata Atlântica. Além da limpeza das nossas águas a busca do plantio de árvores deve ser uma atividade incentivada.

6. Apoiar a produção agroecológica e a agricultura familiar.

Incentivar ações e grupos de economia solidária para a produção e comercialização em feiras agroecológicas. Há diversas experiências em curso que promovem o comércio justo e solidário, beneficiando toda uma cadeia produtiva que contribui para aumentar os níveis de segurança alimentar e melhorar o cardápio e saúde da população.

7. Estimular o plantio de hortas comunitárias.

Onde houver espaço e recursos, incentivar o plantio de hortas orgânicas ou pomares sem a presença de agrotóxicos. Valorizar o saber e a cultura de pessoas que tinham o hábito de plantar e que gostem de transmitir essas experiências às novas gerações se insere na temática da Campanha da Fraternidade.

 

Estas e outras iniciativas que possam surgir da criatividade em nossas comunidades nos acompanharão, não apenas nestes 40 dias, mas em uma mentalidade responsável que se cria com as reflexões sobre tão importantes temas. As sugestões são para que o tempo de conversão quaresmal nos leve ao compromisso com o outro, com o futuro na preservação do meio ambiente conforme o tema da Campanha da Fraternidade deste ano e, portanto, conto que teremos estes e outros gestos concretos em nossas paróquias.