Notícias

Superando o desânimo, caminhando com perseverança

No início de uma caminhada com Deus na Igreja somos envolvidos fervorosamente pelo amor de Deus, ficamos deslumbrados com a Igreja e queremos estar ali a todo momento. Contudo, por que será que esse deslumbre acaba? Será que ficamos animados, sedentos de Deus no início e nos acomodamos? Será que apenas ficamos deslumbrados por ser uma experiência nova em nossas vidas e depois deixamos se transformar numa rotina? Isso acontece por quê? Como deixamos que isso vire uma rotina?

Muitas das vezes chegamos na Igreja por meio de um amigo, ou obrigado por meio de um parente, como no caso das crianças, onde os pais são da Igreja ou, mesmo não sendo da Igreja, inserem os filhos numa catequese com o intuito de crescerem jovens que conhecem a Deus e serem vistos como "bons jovens". Só que ao se depararem com uma situação adversa em casa, na escola, daquilo que é passado e aprendido na Igreja ou até mesmo influenciados por um colega que não frequenta a Igreja, caem na desmotivação e se perguntam "o que eu estou fazendo aqui?"

Esse fato acontece muito com as crianças, que por isso, muitas vezes, abandonam a Igreja e conseqüentemente uma vida com Deus, já que em casa não se vive aquilo que é passado na Igreja, logo, ficam afastados do que é de Deus. Isso também acontece, nem que por um momento da caminhada, na vida daqueles que estão inseridos nesse  ambiente há mais tempo e que se acomodam, se afastando quando surge uma mudança iminente a qual não estão habituadas.

Quando acontece algo em nossas vidas em que não desejamos, ou quando não alcançamos o sucesso que tanto almejamos, logo nos afastamos e questionamos: "Vou à Igreja, sou presente, trabalho em pastoral e nada dá certo na minha vida."  Porém tem que ser entendido que o sucesso, nem sempre, é igual para Deus e para nós. Então, temos que confiar naquilo que Ele nos prepara. Todavia, quantas vezes paramos e ouvimos à Deus? Temos que nos deixar ser conduzidos por Ele, e para que isso aconteça, temos que ouvi-lo, e só ouviremos a Deus quando nos calarmos, quando conseguirmos nos aquietar, embarcando naquilo que Deus nos propõe, e não ficarmos a espera de algo extraordinário para nos conciliarmos com Ele.

Com o imediatismo dos tempos em que vivemos, armamos as nossas próprias armadilhas: não se sabe mais esperar, não se sabe mais discernir, não se sabe mais perdoar. E ao passo que essas coisas se tornam comuns, a todo momento, surgem certezas, quase sempre duvidosas: A razão está sempre conosco, o tempo certo é sempre o nosso e quem está certo sempre sou eu. Cabe a nós, então, reavaliar as nossas certezas e discernir se elas já não se tornaram incertezas, para que possamos nos perdoar e voltar atrás. Essa dificuldade de conceder o perdão, muitas vezes, não nos deixa perdoarmos a nós mesmos e acabamos por cair na armadilha que montamos, pois como vamos amar o próximo, como vamos nos perdoar entre si, se não perdoamos os nossos próprios erros?

Outrossim, é que esse imediatismo nos deixa muito sem tempo, pois ficamos agarrados naquilo que sem sabermos nos puxa para baixo, aceitando a Deus como um segundo plano; só nos falta tempo quando nos falta a prioridade. E isso não quer dizer que devemos abandonar nossas famílias, nossos trabalhos e outros afazeres, mas sim, que possamos tornar Deus prioridade onde quer que estejamos.

Urge, logo, naqueles que se deixaram cair no desânimo, cair na acomodação, ou para aqueles que iniciam agora uma caminhada na Igreja com Deus, ir ao encontro Dele, mas ir ao encontro sem precipitações, buscar a Deus com o coração manso. Ir com calma, mas de alma e discernir aquilo que Deus quer que se realize na minha vida, qual é o meu caminho. Essa calma é fundamental, para que, em momentos futuros, não nos deparemos com frustrações. Mas, mesmo assim, entender que momentos ruins virão,  no entanto, isso é um sinal de que se está trilhando o caminho correto e confiar que há uma escapatória, como Deus mesmo diz: "Não sobreveio a vocês tentação que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, ele mesmo providenciará um escape, para que o possam suportar." (1 Coríntios 10,13).