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Papa Francisco fala no TED2017

 

“Um único indivíduo é o suficiente para a esperança existir, e esse indivíduo pode ser você”

disse o Papa Francisco em um vídeo gravado no Vaticano e enviado para o encontro TED2017 (Tecnologia, Entretenimento, Design), uma organização sem fins lucrativos que convida diversos especialistas para refletir sobre vários temas, incluindo ciência, arte e design, política, educação, cultura, negócios, questões globais, tecnologia, desenvolvimento e entretenimento.

Francisco surpreendeu o auditório de líderes mundiais reunidos em Vancouver, Canadá, com uma palestra na qual refletiu acerca da importância de construir um futuro juntos. Em uma mensagem de esperança para as pessoas de todas as crenças, para aqueles que têm poder, assim como para aqueles que não têm, o Papa fornece um comentário iluminador sobre o mundo atual, alertando que a igualdade, solidariedade e ternura devem prevalecer. “Vamos ajudar uns aos outros, todos juntos, a lembrar que o ‘outro’ não é uma estatística, ou um número”, diz ele. “Todos nós precisamos uns dos outros.”

Entre os conferencistas que participaram do evento, estavam: o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, os ganhadores do Prêmio Nobel James D. Watson, Murray Gell-Mann e Al Gore; o cofundador da Microsoft, Bill Gates; os fundadores do Google, Sergey Brin e Larry Page.

Atualmente há mais de 1000 palestras TED disponíveis online para consulta e download gratuitos.

Em sua conferência, o Papa Francisco afirmou que “o futuro está formado por você, está formado de encontros, porque a vida acontece através de relações”. “Muitos anos de vida fizeram-me crescer cada vez mais na convicção de que a existência de cada um de nós está ligada à existência dos outros. A vida não é tempo que passa, mas tempo de encontro”.

“Encontrando ou escutando os pacientes que sofrem, os imigrantes que enfrentam enormes dificuldades em busca de um futuro melhor, os presos que carregam o inferno dentro do seu próprio coração, pessoas, especialmente jovens, que não têm trabalho, muitas vezes me acompanha uma pergunta: ‘Por que eles e não eu?’”.

Francisco recordou que “também nasceu em uma família de migrantes: meus pais, meus avós, como tantos outros italianos, foram para a Argentina e conheceram o destino daqueles que ficaram sem nada. Eu também poderia estar entre os ‘descartados’ de hoje. Por isso, no meu coração permanece sempre esta pergunta: ‘Por que eles e não eu?’”.

O Santo Padre expressou o desejo de que este encontro “nos ajude a recordar que precisamos uns dos outros, que ninguém é uma ilha, um eu autônomo e independente dos outros. Podemos construir o futuro somente juntos, sem excluir ninguém”.

“Precisamos cuidar novamente de nossas ligações: até mesmo aquele julgamento duro que carrego no coração contra o meu irmão ou irmã, aquela ferida não curada, aquele mal não perdoado, aquele rancor que me fará somente mal, é um pedaço de guerra que carrego dentro de mim, uma chama no coração que deve ser apagada a fim de que não se transforme num incêndio e não deixe cinzas”.

O Papa assegurou que é possível ser feliz se não nos fechamos em nós mesmos, porque “a felicidade se vive somente como um dom de harmonia de um aos outros”.

 

Educação

A respeito da tecnologia e dos avanços científicos, o Bispo de Roma manifestou “como seria bom se, enquanto descobrimos novos planetas distantes, redescobríssemos as necessidades do irmão e da irmã que estão orbitando ao meu redor!”.

Nesse sentido, pediu uma “educação à fraternidade” que, sobretudo está relacionada “às pessoas marginalizadas pelos sistemas tecnológico e econômico que muitas vezes colocam no centro não o ser humano, mas os produtos do ser humano”.

Para Francisco, o amor "requer uma resposta criativa, concreta, engenhosa”. “Não bastam as boas intenções e as fórmulas convencionais, que muitas vezes servem apenas para aliviar as consciências. Juntos, vamos ajudar a recordar que os outros não são estatísticas ou números. O outro tem um rosto. O outro é sempre um rosto concreto, um irmão de quem devemos cuidar”.

O Papa também afirmou que na sociedade atual “existem feridas provocadas pelo fato de que no centro está o dinheiro, as coisas e não as pessoas”.

Entretanto, “nenhum sistema pode anular a abertura ao bem, a compaixão, a capacidade de reagir ao mal que nasce do coração humano”.

“Na noite dos conflitos que estamos vivendo, cada um de nós pode ser uma vela acesa que recorda que a luz prevalece sobre as trevas, não o contrário”.

 

Um futuro com esperança

O Santo Padre explicou que, para os cristãos, “o futuro tem um nome: esperança”. “Ter esperança não significa sermos ingênuos de forma otimista, que ignoramos a tragédia dos males da humanidade”.

“A esperança é a virtude de um coração que não se fecha na escuridão, não para no passado, não vive sem objetivo no presente, mas sabe ver o amanhã”.

Francisco também assinalou que a esperança “é uma semente de vida humilde e escondida que se transforma com o passar do tempo em uma grande árvore; é fermento invisível que faz crescer a massa, o que dá sabor à vida”.

Finalmente, falou sobre a “revolução de ternura”, que é “o amor que se faz próximo e concreto”. “É um movimento que parte do coração e que chega aos olhos, aos ouvidos e mãos. A ternura é usar os olhos para ver o outro, usar os ouvidos para ouvir o outro, para escutar o grito dos pequenos, dos pobres, de quem teme o futuro”.

 

Este “é o caminho da solidariedade, o caminho da humildade”. “Quanto mais você é forte, mais as suas ações têm um impacto sobre as pessoas e mais você é chamado a ser humilde”.

Fonte: ACI Digital