O Rosário

O ROSÁRIO DE NOSSA SENHORA

A oração do Santo Rosário é uma devoção mariana antiguíssima de cunho eminentemente popular que foi sendo desenvolvida através dos séculos e se tornou uma verdadeira catequese para aqueles que possuíam pouca instrução. “O Rosário, ainda que caracterizado pela sua fisionomia mariana, no seu âmago é oração cristológica” (Rosarium Virginis Mariae, 1), pois através da recitação de cada Ave Maria e de cada Pai Nosso, somos carinhosamente conduzidos por Maria Santíssima à contemplação dos mistérios da vida, morte e ressurreição de seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo.

SUA ORIGEM

Sua gênese remonta aos primeiros séculos, quando os monges anacoretas tinham por costume usar pedrinhas para contar o número das orações vocais. Desta forma, nos conventos medievais, os irmãos leigos dispensados da recitação do Saltério (recitação dos 150 Salmos), pela pouca familiaridade com o latim, completavam suas orações com a recitação de 150 Pai-Nossos e, para a contagem, São Beda, o Venerável (doutor da Igreja, séc. VII-VIII), havia sugerido a adoção de vários grãos enfiados em um barbante. Paulatinamente, a devoção popular fez com que os Pai-Nossos fossem substituídos pelas Ave-Marias.

O nome da oração, por sua vez, teve origem ainda na Idade Média. Os vassalos tinham por costume oferecer uma tríplice coroa de flores aos seus senhores. Os cristãos, em sinal de devoção, adotaram este costume passando a oferecer à Virgem Maria uma tríplice Coroa de Rosas, lembrando suas alegrias, dores e glória na participação dos mistérios da vida de Cristo. O nome Rosário passou a designar a oração das 150 Ave-Marias e ao rezá-lo estamos como que levando rosas para Nossa Senhora, de modo que “honrando a Mãe, melhor se conheça, ame e glorifique o Filho” (Lumem gentium, 66).

O Último Capítulo, por J. Doyle Penrose (1902)

São Beda, o Venerável, traduzindo o Evangelho de João em seu leito de morte.

São Domingos de Gusmão, por Fra Angelico (séc. XV)

A PROPAGAÇÃO DO SANTO ROSÁRIO

Segundo antiga tradição, a Virgem Maria apareceu a São Domingos de Gusmão (1170-1221) e indicou-lhe o Rosário como potente arma para a conversão: “Quero que saiba que, a principal peça de combate, tem sido sempre o Saltério Angélico (Rosário) que é a pedra fundamental do Novo Testamento. Assim quero que alcances estas almas endurecidas e as conquiste para Deus, com a oração do meu Saltério”. São Domingos fez do Santo Rosário um instrumento poderoso para conversão do povo da cidade de Albi, no sul da França, influenciado pela heresia dos cátaros. A partir de São Domingos e de sua Ordem dos Padres Pregadores (dominicanos), a oração passa a ser propagada mais fortemente pelo mundo, sendo aprovada definitivamente pela Igreja e enriquecida por muitas indulgências.

CONHEÇA A HISTÓRIA DE SÃO DOMINGOS

A Batalha de Lepanto

A Virgem do Rosário passou a ser invocada como protetora das batalhas no tempo das Cruzadas e após a vitória na batalha naval no largo de Lepanto (Grécia), em 7 de outubro de 1571, que conteve a invasão do Império Otomano à Europa, o Papa Pio V instituiu a festa, pois, neste mesmo dia 7, uma procissão do rosário havia sido realizada na Praça de São Pedro, em Roma. Apesar de inicialmente a festa ter recebido o nome de Nossa Senhora da Vitória, em 1573 o Papa Gregório XIII mudou o título da comemoração para Nossa Senhora do Rosário, confirmando o papel do Santo Rosário nesta vitória. Em 1716, Clemente XI estendeu a festa para toda a Igreja depois de outras vitórias obtidas contra os turcos otomanos, na Hungria.

Desde então, em muitas aparições, Maria Santíssima pede, ensina e reza junto a oração do Rosário, como em Lourdes (França), em Fátima (Portugal) e tantas outras. Quis a Virgem Maria se manifestar também em Pompéia (Itália).

O MILAGRE DE POMPÉIA
A BATALHA DE LEPANTO, POR LUCAS VALDEZ (SÉC. XVII-XVIII)

Nossa Senhora do Rosário protegendo os navios espanhóis na Batalha de Lepando em 7 de outubro de 1571.

Papa São João Paulo II

Totalmente teu, Maria

Com o lema Totus tuus (Totalmente teu), São João Paulo II dedicou o seu pontificado a Maria Santíssima, estimulando os fiéis a tornarem o Santo Rosário sua prática de oração: “Uma oração tão fácil e ao mesmo tempo tão rica merece verdadeiramente ser descoberta de novo pela comunidade cristã” (Rosarium Virginis Mariae, 43). Através da Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, São João Paulo II proclamou, de outubro de 2002 a outubro de 2003, o Ano do Rosário, acrescentando, ao conjunto dos mistérios, os Mistérios da Luz (ou Luminosos). Desse modo, o Rosário completo passou a ter 200 Ave-Marias.

APRENDA A REZAR O ROSÁRIO