Fazendo o Bem

Doutrina Social da Igreja

"Com o seu ensinamento social a Igreja entende anunciar e atualizar o Evangelho na complexa rede de relações sociais. Não se trata simplesmente de alcançar o homem na sociedade ― o homem qual destinatário do anúncio evangélico ―, mas de fecundar e fermentar com o Evangelho a mesma sociedade. Cuidar do homem significa, para a Igreja, envolver também a sociedade na sua solicitude missionária e salvífica.” (Comp. da Doutrina Social da Igreja, 62).

A Igreja, no decorrer de sua história, jamais se ausentou em dizer “a palavra que lhe compete” sobre as questões da vida social. Entretanto, o que denominamos de Doutrina Social da Igreja, embora tenha seu fundamento essencial na Sagrada Escritura e na Sagrada Tradição Apostólica, trata-se do conjunto de ensinamentos do Sagrado Magistério da Igreja, contidos nas diversas encíclicas e pronunciamentos papais, que tratam sobre os temas sociais. Com ela “a Igreja assume a tarefa de anúncio que o Senhor lhe confiou. Ela atualiza no curso da história a mensagem de libertação e de redenção de Cristo, o Evangelho do Reino” (Comp. da Doutrina Social da Igreja, 63). Por isso mesmo, a doutrina social, “por si mesma, tem o valor de um instrumento de evangelização” (Carta encicl. Centesimus annus, 54).

“A doutrina social da Igreja pertence, não ao campo da ideologia, mas ao da teologia e precisamente da teologia moral. Ela não é definível segundo parâmetros socioeconômicos. Não é um sistema ideológico ou pragmático, que visa definir e compor as relações econômicas, políticas e sociais, mas uma categoria a se. É a formulação acurada dos resultados de uma reflexão atenta sobre as complexas realidades da existência do homem, na sociedade e no contexto internacional, à luz da fé e da tradição eclesial. A sua finalidade principal é interpretar estas realidades, examinando a sua conformidade ou desconformidade com as linhas do ensinamento do Evangelho sobre o homem e sobre a sua vocação terrena e ao mesmo tempo transcendente; visa, pois, orientar o comportamento cristão” (Comp. da Doutrina Social da Igreja, 72).

Por tudo isso, a Igreja, “sinal e a salvaguarda da dignidade da pessoa humana” (Const. past. Gaudium et spes, 76), em sua doutrina social convida o homem a redescobrir sua transcendência (um homem aberto ao infinito e a todos os seres criados) em todas as dimensões da vida, incluindo as dimensões sociais, econômicas e políticas; reafirma que a família, fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher, constitui a primeira e vital célula da sociedade; e ilumina a dignidade do trabalho que, enquanto atividade do homem destinada à sua realização, tem a prioridade sobre o capital e garante a propriedade privada dos frutos que dele derivam, evocando-lhe sua função social (cf. Carta do Cardeal Angelo Sodano ao Cardeal Renato Raffaele Martino, Presidente Do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, 2004).

As atuais questões culturais e sociais envolvem sobretudo os fiéis leigos, chamados, como nos recorda o Concílio Ecumênico Vaticano II, a tratar as coisas temporais ordenando-as segundo Deus (cf. Lumen gentium, 31). Bem se compreende, portanto, a importância fundamental da formação dos leigos, para que com a santidade de sua vida e a força do seu testemunho, contribuam para o progresso da humanidade.

Daí a importância de nos aprofundarmos na Doutrina Social da Igreja, para que, a partir dela, possamos encontrar elementos fecundos de reflexão e impulso comum para o desenvolvimento integral de todo homem e do homem todo. Por isso mesmo, em nossos próximos artigos, nos deteremos a estudar a Doutrina Social da Igreja, como um caminho salutar para a atividade cristã na sociedade contemporânea.

 

Fonte: Compêndio da Doutrina Social da Igreja